Valci Melo - Configurações e desafios do ensino de Sociologia no Sertão Alagoano (2015)
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DOI: http://dx.doi.org/10.5007/1980-3532.2015n14p44
Configurações e desafios do ensino de Sociologia no Sertão
Alagoano
Configurations and challenges of teaching of Sociology in
Hinterland of Alagoas
Valci Melo
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Alagoas/UFAL
Professor do Ensino Básico da Rede Pública Municipal/ São José da Tapera - AL
valcimelo@hotmail.com
Resumo: O presente escrito analisa as configurações e os desafios do ensino de Sociologia no Sertão
Alagoano. Para tal, recorre-se tanto a uma análise documental e bibliográfica acerca da temática, como
também, à descrição e análise de dados coletados junto a 10 professores que lecionam Sociologia em
escolas públicas situadas na mesorregião do Sertão Alagoano. A pesquisa de campo se deu entre maio e
junho de 2015, através da realização de entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários. Ao
longo do estudo, demonstra-se como e sob quais condições a Sociologia é ensinada no Sertão Alagoano.
Por fim, defende-se que as precárias condições de trabalho docente e a falta de formação inicial e
continuada na área de atuação desafiam negativamente o ensino de Sociologia.
Palavras-chave: Ensino de Sociologia. Ensino Médio. Sertão Alagoano. Formação docente. Trabalho
docente.
Abstract: This paper examines the settings and the challenges of teaching of sociology in Hinterland of
Alagoas. To this end, was utilized both documentary and literature review on the theme, as also the
description and analysis of data collected with 10 teachers who teach Sociology in public schools located
in the middle region of Hinterland of Alagoas. The fieldwork took place between May and June 2015, by
conducting semi-structured interviews and aplication of questionnaires. Throughout the study, it is shown
how and under what conditions the Sociology is taught in Hinterland of Alagoas. Finally, it is argued that
the precarious labour conditions of teachers and the lack of initial and continuing education in the area of
acting are challenges adverse to teaching of Sociology.
Keywords: Teaching of Sociology. High school. Hinterland of Alagoas. Teacher education. Teacher
labour.
Originais recebidos em: 28/02/2016
Aceito para publicação em: 13/05/2016
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso NãoComercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.
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Introdução
O ensino de Sociologia se dá, nacionalmente, no âmbito do Ensino Médio,
modalidade educacional que, apesar de seguir diretrizes nacionais comuns, está
constitucionalmente sob a responsabilidade dos estados federados, o que exige
considerar as configurações e especificidades que assume em cada unidade da federação
e, consequentemente, suas implicações para o ensino da disciplina Sociologia.
No caso do estado de Alagoas, como observa Oliveira (2007, p. 32) “[...] pensar
o ensino médio [...] requer o reconhecimento das circunstâncias em que ele se realiza,
do ponto de vista acadêmico, histórico, político, administrativo, econômico e cultural”.
Assim, na medida em que formos tratando acerca das configurações e dos desafios que
circundam o ensino da disciplina Sociologia, buscaremos apontar como este se insere e
se desdobra no contexto do Ensino Médio alagoano.
Para realizar-se, a presente pesquisa fez uso de técnicas como entrevistas
semiestruturadas e aplicação de questionários com 10 professores que lecionam a
disciplina Sociologia em escolas públicas de nível médio situadas na mesorregião do
Sertão Alagoano1, o que corresponde a 20% do universo pesquisado. Mediante esses
instrumentos, e à luz do materialismo histórico-dialético, buscamos compreender quem
são os professores que lecionam Sociologia no Sertão Alagoano (sexo, idade, formação
inicial e continuada, vínculo empregatício, experiência profissional, condições de
trabalho, etc.) e como eles lidam com o ensino da referida disciplina.
Os docentes foram selecionados com base nos seguintes critérios: a) docentes
que atuam em escolas públicas situadas na mesorregião do Sertão Alagoano com a
maior quantidade de professores de Sociologia; b) docentes que atuam em escolas com
a maior quantidade de estudantes de nível médio; c) docentes vinculados a escolas de
cada uma das 03 Coordenadorias Regionais de Ensino (CRE) da mesorregião do Sertão
Alagoano.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE)
de Alagoas, o estado possui 15 Coordenadorias Regionais de Ensino (CRE), das quais
03 estão situadas no Sertão Alagoano, ficando a mais de 200 quilômetros da capital
1
De acordo com o Anuário Estatístico do Estado de Alagoas: ano 2012 o referido Estado está divido
geograficamente em 03 mesorregiões (Sertão Alagoano, Agreste Alagoano e Leste Alagoano), 13
microrregiões e 26 municípios (ALAGOAS, 2013).
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Maceió. Estas atendem 25 municípios2 e contam com 40 escolas públicas estaduais que
ofertam o Ensino Médio, envolvendo, conforme dados do Censo Escolar de 2014 3,
17.735 estudantes (14,71% dos estudantes da rede pública estadual).
Mapa 1 – Mesorregiões4 do Estado de Alagoas em setembro de 2014.
Fonte: Site Alagoas em Mapas/IBGE 2010 com adaptações do autor.
Conforme levantamento realizado por email e via telefone junto às três
Coordenadorias Regionais de Ensino (CRE) do Sertão Alagoano, a mesorregião conta
com cerca de 50 professores que lecionam a disciplina Sociologia, dos quais apenas 20
têm vínculo efetivo, e destes, somente 02 têm formação específica em Ciências Sociais.
Entre os professores efetivos, 13 atuam na 11ª CRE, a qual também concentra os 02
professores com habilitação específica em sala de aula.
Os professores participantes deste estudo representam bem este cenário, na
medida em que dos 10 docentes pesquisados, apenas 04 têm vínculo efetivo, e destes,
somente 01 tem formação na área.
A seguir, apresentaremos de forma mais detalhada os dados coletados junto a
estes sujeitos que tornam concreto o ensino de Sociologia no Sertão Alagoano. Por
razões éticas exigidas pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Alagoas
2
Um dos municípios (Major Isidoro) é da mesorregião do Sertão Alagoano, mas pertence a 3ª CRE cuja
sede fica em Palmeira dos Índios, já na mesorregião do Agreste Alagoano.
3
Disponível em: http://portal.inep.gov.br/basica-censo-escolar-matricula. Acesso em: 10 maio 2015.
4
Disponível em: http://dados.al.gov.br/dataset/d8f3ac16-6441-4f45-8c69a2fc5a4ff8a6/resource/f9f4657f-e0da-47ae-8f02-5a5fff55109e/download/13mesorregioes.png. Acesso
em: 10 maio 2016.
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(UFAL) e acordadas entre nós e os professores pesquisados mediante assinatura de
Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), será omitida ao longo do texto a
identidade dos sujeitos e das instituições participantes do estudo.
Quem são os professores de Sociologia do Sertão Alagoano?
Em Alagoas, conforme Florêncio (2007), a história da disciplina Sociologia no
ensino de nível médio não foge aos delineamentos que a disciplina sofreu a nível
nacional, uma vez que tanto se faz presente no primeiro período de obrigatoriedade
nacional (1925-1942), como também, registra-se o seu ensino no curso Normal desde
1972 sob a nomenclatura Sociologia Educacional (OLIVEIRA, 2007).
A partir de 1999, em virtude da inclusão dos conhecimentos sociológicos no rol
das exigências do processo de vestibular da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a
disciplina Sociologia se projeta para toda a rede de ensino de nível médio (OLIVEIRA,
2007, p.31; SILVA SOBRINHO, 2007, p. 41; FLORÊNCIO, 2007, p. 78).
No entanto, apesar de o estado de Alagoas se antecipar a obrigatoriedade
nacional do ensino da disciplina, que só acontece no ano de 2008, este movimento é
caracterizado por avanços e recuos em relação à situação nacional, visto que,
[...] se por um lado o Estado introduz a disciplina antes da obrigatoriedade
que se deu em nível nacional, realizando concurso público ainda em 2005,
por outro, não houve clareza sobre a necessidade de se ter professores
formados em Ciências Sociais para tanto [...], bem como o início de uma
reflexão mais apurada por parte da agência formadora se deu de forma tardia
(OLIVEIRA; FERREIRA; SILVA, 2014, p. 28).
Isto é, como demonstram os autores, no referido certame ocorreu, inicialmente, a
exclusão dos licenciados em Ciências Sociais como profissionais aptos a concorrerem
às vagas de professor de Sociologia no Ensino Médio, situação mais ou menos revertida
apenas após mobilização da categoria, uma vez que, apesar dos cientistas sociais
poderem pleitear às vagas, tiveram que disputá-las com os licenciados em Pedagogia.
Esse cenário de licenciados em outras áreas do conhecimento lecionando a
disciplina Sociologia permanece intenso, especialmente nas mesorregiões mais
afastadas da capital, como se pode ver no quadro 1 acerca do Sertão Alagoano, tendo
em vista que no último concurso público, realizado em 2013, das três Coordenadorias
Regionais de Ensino (CRE) dessa mesorregião, duas não tiveram candidatos aprovados
para a disciplina Sociologia, e a outra CRE aprovou apenas dois dos atuais 20
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professores que lecionam Sociologia, dos quais 13 são professores efetivos, mas
somente 02 deles têm formação específica. E um dado curioso acerca desses dois
docentes com formação em Ciências Sociais é que ambos também são mestres em
Sociologia e nenhum deles fez sua formação em Alagoas, sendo um do estado de
Sergipe e outro da Paraíba.
Assim, conforme apontam os dados coletados durante nossa pesquisa e expostos
no quadro seguinte, os professores que lecionam a disciplina Sociologia no Sertão
Alagoano são trabalhadores em educação que majoritariamente vêm de uma formação
inicial em Pedagogia (80%), todos concluíram a formação inicial há menos de uma
década – apesar de 70% deles já atuarem há mais de 10 anos no magistério -, 80% estão
lecionando a disciplina a menos de quatro anos e 90% situam-se, em sua maioria, acima
dos 30 anos de idade.
Quadro 1 - Perfil dos professores de Sociologia do Sertão Alagoano em junho
de 2015.
Fonte: pesquisa de campo realizada pelo autor.
Como se vê no quadro acima, a maioria dos professores pesquisados tem vínculo
de monitoria (06 docentes), situação de exceção que há décadas5 é praticada como regra
no âmbito do Ensino Médio alagoano e que se caracteriza por acirrar a precarização do
trabalho docente, na medida em que retira desses trabalhadores o mínimo de direitos
trabalhistas usufruídos pelos trabalhadores efetivos, a exemplo do uso de 1/3 (um terço)
5
Um/a dos/as professores/as participantes do estudo está há 12 anos como monitor/a atuando junto à
disciplina.
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da carga horária para atividades extrassalas, uma vez que recebem seu pagamento por
hora aula, a qual, conforme edital do último processo seletivo realizado em 2014 custava
R$ 11,16 (onze reais e dezesseis centavos) (ALAGOAS, 2014).
Já com relação à falta de professores devidamente habilitados para lecionar
Sociologia no Ensino Médio, trata-se de uma situação que, conforme apontam Oliveira
(2007) e Oliveira, Ferreira e Silva (2014), é consequência direta da institucionalização e
da expansão tardia e problemática das Ciências Sociais em Alagoas, tendo em vista que
o primeiro curso voltado à formação de licenciados em Ciências Sociais no estado de
Alagoas só aconteceu no ano de 1993, ficando restrito à capital até o ano de 2013,
ocasião em que foram abertas 05 turmas na modalidade Educação a Distância (EaD)
com polos nas cidades de Maceió, Maragogi, Arapiraca e Olho d´Água das Flores.
Embora, conforme o Sistema e-MEC, do Ministério da Educação, existam
atualmente 04 instituições que oferecem a graduação em Ciências Sociais6 e uma que
oferta Ciência Política7 no estado de Alagoas, isso não altera o cenário de interiorização
tardia e expansão problemática acima referido, visto que, além da UFAL sobre cuja
atuação falamos anteriormente, entre as demais instituições (todas privadas, com sede
fora do estado e atuando em Alagoas exclusivamente na modalidade a distância), as que
oferecem a licenciatura limitam-se à capital e as que saem para o interior ofertam
apenas o bacharelado que, como sabemos, não habilita profissionalmente para a atuação
na docência do ensino de Sociologia no Ensino Médio. É, pois, este o caso do Centro
Educacional Clarentiano (CEUCLAR) e da Universidade Castelo Branco (UCB), cuja
atuação limita-se a Maceió, e da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) e do Centro
Universitário Internacional (UNINTER) que, embora ofertem seus cursos também no
Agreste e no Sertão, oferecem apenas o bacharelado. Também precisamos considerar
dois outros aspectos, a saber: 1) conforme o Sistema e-MEC, tanto o curso oferecido
pela UCB, como também, a licenciatura à distância ofertada pela UFAL encontram-se
com novas vagas não autorizadas; 2) o fato das demais instituições atuarem em várias
unidades da federação impossibilita-nos de saber se as vagas oferecidas para o estado de
Alagoas estão sendo preenchidas, visto que a informação que consta no Sistema e-MEC
refere-se à oferta institucional para toda a sua área de atuação.
6
Centro Educacional Clarentiano (CEUCLAR), Universidade Castelo Branco (UCB), Universidade
Luterana do Brasil (ULBRA) e Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
7
Centro Universitário Internacional (UNINTER) que oferta o bacharelado na modalidade à distância nas
cidades de Arapiraca, Delmiro Gouveia, Junqueiro, Maceió, Maribondo e Palmeira dos Índios.
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Ainda sobre a formação dos docentes, é importante observar que o predomínio
de licenciados em Pedagogia (80% dos docentes participantes do estudo) atuando no
ensino de Sociologia se dá ao menos por três motivos. O primeiro diz respeito à
escassez de professores devidamente habilitados em Ciências Sociais para atender a
demanda do Ensino Médio em todo o estado, sobretudo, nas regiões e municípios mais
afastados da capital.
O segundo motivo, intrinsecamente ligado ao primeiro, corresponde ao fato
contraditório de ser a Pedagogia a única das licenciaturas que embora não habilite para a
atuação no Ensino Médio, é contemplada pelos certames com as vagas não preenchidas
pelos cientistas sociais. E, ainda ligado a este segundo ponto, encontra-se a situação dos
professores efetivos licenciados em Pedagogia que, uma vez o Estado desobrigando-se
da oferta do Ensino Fundamental 1 no qual estavam alocados, remanejou-os para a
etapa educacional sob sua responsabilidade: o Ensino Médio.
Por fim, cabe considerar que, diferentemente da licenciatura em Ciências
Sociais, a Pedagogia constitui-se o curso superior mais interiorizado no Estado de
Alagoas, seja via UFAL que além de ofertá-lo presencialmente na capital há seis
décadas, oferta-o também já há 05 anos no Agreste e no Sertão, bem como, há quase
duas décadas na modalidade à distância, alcançando atualmente 08 polos; seja por meio
da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) que há duas décadas oferta este curso
no Agreste e no Sertão; seja por intermédio das Instituições de Ensino Superior (IES)
privadas que ofertam o curso predominantemente na modalidade à distância e
correspondem, conforme dados do Sistema e-MEC, a 92% das instituições que
oferecem esse tipo de curso no estado.
No entanto, embora as IES privadas tenham ampla atuação no Sertão Alagoano e
ofertem a licenciatura em Pedagogia já há bastante tempo, 90% (noventa por cento) dos
professores participantes deste estudo fizeram sua formação inicial em instituições
públicas, sendo 30% deles pela UNEAL, 20% pela UFAL (à distância) e 40% na
modalidade presencial por instituições estaduais ou federais de outros estados
nordestinos (Sergipe, Bahia e Ceará), o que sinaliza uma baixa adesão aos cursos de
formação inicial de professores na modalidade à distância, inclusive, nas instituições
privadas.
Já no tocante à formação continuada, 70% (setenta por cento) dos docentes
participantes do estudo já concluíram um curso de pós-graduação lato sensu, 02 dos
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professores, além de especialistas, são mestres e outros 02 docentes estão cursando sua
primeira pós-graduação. Isso revela um permanente contato desses trabalhadores com a
academia, mas, um fato curioso neste aspecto é que, além da maioria ter feito a pósgraduação em instituições privadas, também não receberam nenhum tipo de auxílio por
parte do Estado para continuar estudando, registrando-se apenas 02 casos em que os
professores foram dispensados do trabalho durante o período de estudo.
Estes dados, por sua vez, expressam as dificuldades de operacionalização da
Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica,
instituída mediante o Decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009, e mais
especificamente, do funcionamento da Rede Nacional de Formação Continuada dos
Profissionais do Magistério da Educação Básica Pública, criada por meio da Portaria nº
1.328, de 23 de setembro de 2011. Voltadas à formação inicial (primeira ou segunda
licenciatura) e continuada dos trabalhadores em educação que atuam na Educação
Básica, essas políticas se dão em regime de colaboração entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios e têm como instância de concretização os Fóruns
Estaduais Permanentes de Apoio à Formação Docente que em Alagoas chama-se Fórum
Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente do Estado de Alagoas (FORPAFAL).
Conforme Ata de reunião do FORPAF-AL, realizada em 13 de fevereiro de
2014, foram discutidas na ocasião as demandas de formação inicial em segunda
licenciatura e/ou continuada em nível de especialização para disciplinas como Arte,
Filosofia e Sociologia no sentido de regularizar a situação dos docentes graduados, mas
atuantes em áreas para as quais não têm formação. No entanto, como aponta o referido
documento, ao menos no que tange à formação continuada mediante cursos de
especialização, o encaminhamento da presente situação ainda se prolongará por algum
tempo, visto que no momento a Gerência de Gestão da Formação Inicial e Continuada
da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) do Estado de Alagoas
[...] informou que foi elaborado um quadro de levantamento de demandas
para a formação inicial da primeira e segunda licenciatura e encaminhado às
escolas da rede estadual e também as redes municipais através da UNDIME8,
para que então possamos ter um diagnóstico real da situação em Alagoas.
Este diagnóstico referenciará as discussões deste Fórum quanto deliberação
de cursos pelas universidades participantes da rede de formação (FORPAFAL, 2014, n.p).
8
União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
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Ou seja, como se vê, até o momento citado, não havia por parte da própria
Secretaria de Estado da Educação um conhecimento exato da real demanda formativa
desses trabalhadores que são professores efetivos do Estado, mas estão atuando em
disciplinas para as quais não têm formação específica.
No tocante à graduação, um passo nesse sentido começou a ser dado com a
expansão da licenciatura em Ciências Sociais na modalidade a distância oferecida pelo
Instituto de Ciências Sociais (ICS), da UFAL, em parceria com a Universidade Aberta
do Brasil (UAB). No entanto, apesar de destinar 80% (oitenta por cento) das vagas para
candidatos inscritos na Plataforma Paulo Freire, que fazem parte do Programa de
Formação Continuada de Professores da Educação Básica Pública, no caso do polo de
Olho d’Água das Flores, localizado na mesorregião do Sertão Alagoano, apenas 20 das
55 vagas ofertadas foram preenchidas por professores (36%), restando, no momento
dessa pesquisa, 04 docentes entre os 23 estudantes que permanecem no curso. Entre os
professores que ocuparam as vagas destinadas a docentes da Educação Básica nos dois
processos seletivos, 03 deles já lecionavam Sociologia no Ensino Médio (dos quais
restam 02) e um dos cursistas que entrou pela demanda social atualmente leciona a
disciplina como monitor.
Como os dados acima revelam, a taxa de evasão é altíssima, chegando a 80%
entre os ingressantes pela Plataforma Paulo Freire e a 54% entre os estudantes da
demanda social, sendo esta realidade também comum aos demais polos.
São diversos os fatores que podem estar relacionados à grande evasão dos
professores e mesmo à própria ausência daqueles que lecionam a disciplina Sociologia.
Entre os motivos que podem ser objeto de investigação futura, penso não poder ficar de
fora:
a. O grande percentual de monitores, vínculo de trabalho que sendo provisório,
desestimula os docentes a investirem seu tempo em uma segunda licenciatura
em formato integral;
b. A configuração organizacional e curricular do curso que, embora destine 80%
das vagas para pessoas já licenciadas e atuantes na Educação Básica, segue um
formato de primeira licenciatura;
c. A própria consideração dos professores da necessidade de uma formação
específica para lidar com a disciplina, uma vez que conforme apontou a maioria
dos docentes entrevistados, apesar de reconhecer a importância da formação
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específica, o peso desta na lida com a disciplina seria relativizado devido a
fatores como dedicação e esforço pessoal.
Entendemos que a forma como o livro didático é acolhido pelos docentes ajuda a
explicar essa relativização da formação específica. Isto é, ao ser acolhido não somente
com um recurso didático, mas como um referencial curricular e didático-pedagógico, o
livro didático acaba tendo um peso considerável na atuação docente tanto no que tange
aos conteúdos a serem ensinados, como também, no que se refere ao modo como esses
são abordados. Assim, se os professores compreendem que os conteúdos a serem
ensinados são aqueles apresentados nesse instrumento e acreditam terem domínio sobre
os mesmos, a formação específica acaba sendo secundarizada.
Por outro lado, talvez por ser a desnaturalização da realidade social uma tarefa
não exclusiva do conhecimento proveniente das Ciências Sociais (SANTOS, 2002, p.
112; BRASIL, 2006, p.105-107) e também pelo fato da Sociologia lidar com questões
que, no dizer dos professores, toma o dia a dia como ponto de partida pedagógico,
muitos docentes relativizem o peso da formação específica na lida com a disciplina
Sociologia. No entanto, como destacou um/a dos/as professores/as:
[...] A falta de formação dificulta em qualquer profissão. Ter a formação em
Ciências Sociais me daria toda uma segurança em fazer um trabalho na
disciplina Sociologia. Eu sou pedagoga. Terminei minha graduação em
2005..., 2006. Eu tive três cadeiras de Sociologia na universidade e não vi
mais. Então agora, além de resgatar um estudo que eu tive há dez anos atrás,
eu tenho que estudar para ministrar a disciplina, o que por um lado é bom
porque eu gosto de estudar e aprendo, mas que há essa dificuldade porque eu
não sou formada (PROFESSOR/A LF).
Como se vê, uma das bases para lidar com a disciplina vem dos conhecimentos
vistos nas disciplinas de fundamentos cursadas na universidade, o que incita várias
questões, na medida em que são disciplinas aplicadas e que não visam o seu ensino na
Educação Básica, e sim, apenas uma leitura por parte do futuro professor.
Já no tocante aos cursos de formação continuada em nível de pós-graduação,
diversos outros estados da federação estão à frente de Alagoas ao já oferecerem através
de suas instituições públicas, federais e estaduais, o curso de especialização em Ensino
de Sociologia para o Ensino Médio, a exemplo de Sergipe, Bahia 9, Piauí e Paraíba que
ofertam o referido curso, e de Pernambuco que oferece o Mestrado Profissional em
9
Neste estado o curso é oferecido tanto pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), como também, pela
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), ambos, a exemplo dos outros estados, na
modalidade a distância, em parceria com a UAB.
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Ciências Sociais para o Ensino Médio por meio da Fundação Joaquim Nabuco
(FUNDAJ) – isso para ficarmos apenas nos estados da região Nordeste.
Assim, enquanto não se ofertam cursos de pós-graduação voltados para a área na
qual estão atuando, os professores que lecionam Sociologia no Sertão Alagoano
realizam cursos deste nível em outras áreas. E entre as áreas em que se concentram os
cursos de pós-graduação realizados até então pelos professores pesquisados, como nos
mostra o gráfico 1, ganha destaque a educação e, no interior desta, a psicopedagogia:
Gráfico 1 – Áreas de concentração dos cursos de pós-graduação10.
Fonte: pesquisa de campo realizada pelo autor.
Condições face às quais se dá o trabalho dos professores de Sociologia
do Sertão Alagoano
O trabalho didático-pedagógico desenvolvido pelos professores pesquisados se
dá em condições não muito diferentes de outros contextos estaduais e mesmo nacional,
conforme nos mostram estudos como os de Eras (2006), Rosa (2009), Zanardi (2009),
Florêncio (2011) e Motta (2012).
Como apontado anteriormente, dos 10 professores participantes deste estudo,
60% têm vínculo temporário (monitoria) e, conforme demonstra o quadro 2, setenta por
cento (70%) deles lecionam mais de uma disciplina para a qual, geralmente, também
10
A quantidade não corresponde ao quantitativo de professores pesquisados, pois um deles não tem pósgraduação, mas outros 03 têm mais de um curso, a exemplo dos/as professores/as que são mestres e
também especialistas (inclusive 01 deles tem duas especializações).
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não têm formação na área, o que exige, além do tempo regular dedicado ao
planejamento, um tempo extra para estudo. Também é possível ver que metade dos
docentes exerce outras funções além da docência no Ensino Médio - mesmo sendo estas
no âmbito da educação -, bem como, que 90% deles atuam em mais de uma instituição,
trabalham, no mínimo, dois turnos, perfazendo uma alta carga horária semanal e
atendem uma quantidade enorme de estudantes – isso considerando-se apenas os
educandos que atendem na disciplina Sociologia.
Quadro 2 - Condições de trabalho dos professores pesquisados em junho de
2015.
Fonte: pesquisa de campo realizada pelo autor.
Estas condições, juntamente com o vínculo empregatício precário e a falta de
formação inicial e continuada na área de atuação11, desafiam o ensino de Sociologia
ofertado nas escolas públicas estaduais do Sertão Alagoano, na medida em que
correspondem exatamente aos aspectos objetivos e subjetivos face aos quais a disciplina
é lecionada e, de um modo geral, a partir dos quais a profissão docente é exercida.
11
A formação continuada em nível de aperfeiçoamento também é praticamente inexistente, visto que nos
03 casos em que os docentes disseram ter participado de algum tipo de formação que contemplasse a
disciplina na qual atuam, esta aconteceu sob a responsabilidade da escola e mais próxima do que
poderíamos chamar de reunião pedagógica.
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No entanto, chama a atenção o fato de que ao serem questionados acerca dos
principais desafios e dificuldades que enfrentam na lida com a disciplina, pouquíssimos
docentes elencaram alguma destas condições como empecilhos para a realização de seu
trabalho, seja junto a disciplina Sociologia, seja como docente de um modo geral. Pelo
contrário, os problemas frequentemente destacados concentraram-se na reduzida carga
horária da disciplina (1 hora/aula semanal) e no baixo nível de interesse e gosto pela
leitura dos estudantes, inclusive, do período noturno.
Supomos que a pouca ênfase nestas questões como dificuldades se explica em
parte por estas condições serem tão frequentes, intensas - e muitas delas tão
generalizadas - que acabam sendo naturalizadas. Claro que o mesmo poder-se-ia dizer
acerca da carga horária da disciplina Sociologia e do baixo gosto dos estudantes pela
leitura que também parecem ser problemáticas que fazem parte do cenário nacional. No
entanto, diferentemente dos aspectos de cunho mais estrutural, estes são tomados pela
maioria dos docentes como aqueles que afetam mais diretamente o ensino da disciplina
Sociologia.
Ainda neste aspecto, chama a atenção o fato de que apenas um/a professor/a
destacou entre as dificuldades a quantidade de estudantes por turma e o número total
que atende, situação que impede o desenvolvimento de atividades como pesquisa e
acompanhamento individual ao processo de aprendizagem destes.
Já com relação ao tratamento que a disciplina recebe nas instituições onde
atuam, 70% dos professores disse não perceber nenhum tipo de tratamento desigual. No
entanto, quando exemplificadas algumas situações, um/a deles/as destacou:
De certa forma, às vezes eu percebo de alguns diretores de colocar a
disciplina como a última aula, coloca na primeira que é mais curta, tem os
quinze minutos de tolerância. [...] Não explícito, falando explicitamente, mas
da forma que se coloca você percebe sim (PROFESSOR/A AS).
Outros dois professores, sobre o mesmo assunto, demonstraram insatisfação com
o tratamento dirigido à disciplina nas instituições onde atuam, destacando um/a deles/a
que a Sociologia é bem aceita pela equipe gestora da escola, mas que sua relevância não
é compreendida pelos demais colegas professores. Já para outro/a professor/a, tanto a
disciplina como o docente que a leciona são vistos e tratados com menos importância do
que professores que lecionam disciplinas como Português e Matemática. No entanto, em
nenhuma das situações acima mencionadas os professores deram detalhes de como se
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processa esta discriminação curricular para com a disciplina nas instituições em que
atuam.
Ainda sobre as condições nas quais se dá o ensino de Sociologia no Sertão
Alagoano, é importante destacar que dois dos professores participantes do estudo
lecionam a disciplina tanto no Ensino Médio regular, como na modalidade Normal - e
um deles ainda na rede particular. De acordo com estes docentes, apesar de se tratar da
mesma modalidade de ensino, há uma grande diferença entre os estudantes que estão no
curso Normal, os quais apresentam-se, em suas palavras, “mais dedicados e
responsáveis”, para com aqueles do Ensino Médio regular, que geralmente são mais
“desmotivados”. Eles atribuem essa diferença ao fato de que no Ensino Médio Normal
os estudantes têm uma clareza dos rumos de sua formação, mesmo quando dizem não
quererem a docência como profissão.
Os docentes participantes do estudo também destacam que o período noturno é
mais problemático de se trabalhar, visto que os estudantes que frequentam este turno
geralmente precisam conciliar a dupla condição de estudante e trabalhador e já chegam
bastante indispostos para o estudo. Por outro lado, segundo os professores, também se
trata de um turno frequentado mais por estudantes com idade mais avançada e que
apresentam maior resistência na discussão de alguns temas, sobretudo, no campo da
Política, visto que a força pedagógica da realidade acaba se impondo de modo mais
intenso que o conteúdo e a abordagem do professor.
Eu vejo com um grande desafio pelo próprio público que a gente trabalha.
Um dos grandes problemas que eu vejo quando eu estou trabalhando a
questão de poder, política e estado é que quando eu pergunto quem gosta de
política, ninguém gosta de política. [...] E justificam várias coisas: pela
questão da corrupção, porque político nenhum presta... Então, eles preferem
se anular nessa questão desse processo da participação política. [...] Aí eu
tenho que entrar com outro tipo de discussão pra dizer que eles precisam
participar desse processo porque senão vão ficar na mão de outras pessoas.
Mas assim: eu vejo que a dificuldade nessa questão da formação cidadã, de
inculcar nos alunos essa questão, de fomentar, é mais relacionada a essa
questão de desacreditar realmente de que se eles souberem, se eles
participarem, [...] conhecerem seus direitos... Mas eles acham que não vai
adiantar. Que o Brasil privilegia algumas pessoas e outras não... Então eles
não têm esse sentimento de pertencimento da sociedade, de querer mudar, de
querer participar ativamente (PROFESSOR/A AM).
No trecho acima inserido (e recorrente no discurso dos docentes participantes
deste estudo), defende-se uma vinculação direta entre o ensino da disciplina Sociologia
e a perspectiva de intervenção na realidade social, cuja síntese se expressa na ideia de
preparação para o exercício da cidadania.
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A preocupação dos professores com o caráter politizador da disciplina que, no
entender deles, busca ir além da reflexão sociológica dos problemas sociais encontra na
realidade social dos estudantes menos possibilidades e mais limites pedagógicos. Isto é,
se por um lado, o fato de lidar com a própria realidade facilita a abordagem dos
conteúdos, por outro, tornar-se quase sempre um empecilho, na medida em que a força
pedagógica da prática acaba sendo muitas vezes mais intensa e eficaz do que a da teoria.
No entanto, chama a atenção o fato de que ao relatar as dificuldades para lidar
com o tema poder, política e Estado (e essa dificuldade é comum a 1/3 dos docentes
participantes do estudo), ao invés de se problematizar os limites concretos da concepção
aristotélica de política como atividade que supostamente visaria o bem comum, assim
como, os fundamentos liberais da ideia de Estado como ente público imparcial, culpa-se
os estudantes por não darem mais ouvidos ao “canto da sereia”. Pior ainda: não são as
condições concretas de funcionamento da democracia representativa que anulam a
participação efetiva das pessoas, e sim, estas últimas que se anulam por não acreditarem
mais nesse sistema e abdicarem da mudança por dentro da ordem.
Como os professores que lecionam Sociologia no Sertão Alagoano
lidam com a disciplina?
Como já destacado neste estudo, o trabalho didático-pedagógico desenvolvido
pelos professores pesquisados não se diferencia de forma substancial de outros
contextos estaduais e mesmo nacional, seja no tocante às condições sob as quais se dá,
seja no modo como lidam com a disciplina.
No intuito de identificar como os docentes que atuam no Sertão Alagoano lidam
com a disciplina, levantamos junto a estes dados com relação aos seguintes aspectos: 1)
Conteúdos que trabalham; 2) Critérios que utilizam para selecionar os conteúdos; 3)
Subsídios que usam durante o planejamento e/ou execução das aulas; 4) Livro didático
utilizado; 5) Como avaliam o livro didático; 6) Critério usado para a escolha do livro
didático; 7)Como é a aprendizagem dos estudantes; 8) Peso da ausência de uma base
curricular nacional comum na lida com a disciplina; 9) Forma como geralmente
abordam os conteúdos; 10) Como os estudantes têm reagido à disciplina;
No tocante aos conteúdos, apresentamos uma lista de múltipla escolha com as
seguintes opções: 1) Senso comum versus conhecimento científico; 2) Introdução e/ou
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história da sociologia/ciências sociais; 3) Relação indivíduo – sociedade; 4) Trabalho;
5) Capitalismo; 6) Desigualdades sociais; 7) Globalização; 8) Ideologia; 9) Movimentos
sociais; 10) Mudança social; 11) Instituições sociais; 12) Classes sociais; 13) Cultura;
14) Diversidade e identidade cultural; 15) Etnocentrismo; 16) Religiosidade; 17)
Gênero e sexualidade; 18) Poder; 19) Política e Estado; 20) Democracia; 21) Cidadania;
22) Dominação.
Além do rol de conteúdos sugeridos, constava na lista a opção “outros”, mas
apenas 02 professores a utilizaram, destacando assuntos como “Organização do Estado
brasileiro, Código de Trânsito, meios de comunicação, leis trabalhistas” e “guerras e
conflitos agrários”.
Já sobre a não marcação de alguns temas (que aconteceu apenas em 03 casos,
sendo dois relacionados ao tempo de atuação junto à disciplina e a série/ano em que
atua o/a professor/a), chamou a atenção o fato de que, entre os professores com mais de
um ano lidando com a disciplina, somente um/a professor/a não assinalou os seguintes
temas: capitalismo, etnocentrismo, religiosidade, gênero e poder, os quais, representam,
a nosso ver, questões centrais nas áreas da Sociologia, da Antropologia e da Política que
constituem o ensino de Sociologia/Ciências Sociais na Educação Básica.
Já sobre os critérios utilizados para selecionar os temas trabalhados, conforme os
docentes, busca-se conciliar, sobretudo, aquilo que é apresentado pelo livro didático
com a realidade social e educacional dos estudantes, embora em algumas situações a
preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e a necessidade de
análise sociológica de acontecimentos contemporâneos também oriente esse processo.
Neste sentido, os dados revelam mais uma vez o peso do livro didático no
delineamento da disciplina, visto que todos os docentes participantes do estudo
trabalham com esse recurso e, ressalvadas as diferenças entre as coleções adotadas12,
como apontam os guias que apresentam os livros selecionados (BRASIL, 2011; 2014),
os conteúdos parecem ser comuns a todos eles.
E pensamos ser tal afirmação plausível pelo fato de que, mesmo não tendo ainda
a disciplina Sociologia uma base curricular comum nacionalmente posta – e somente
metade dos docentes ter declarado conhecer o Referencial Curricular da Educação
Básica para as Escolas Públicas de Alagoas, no qual constam apontamentos sobre as
12
Os livros didáticos trabalhados pelos professores são: Sociologia para o Ensino Médio; Tempos
Modernos, Tempos de Sociologia; Sociologia Hoje e Sociologia em Movimento.
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aprendizagens básicas a serem desenvolvidas mediante o ensino da Sociologia
(ALAGOAS, 2010) -, nenhum professor destacou ter essa questão um peso relevante na
lida com a disciplina, enfatizando que isso só pesaria se não tivesse o livro didático, o
qual, tendo sido escolhido diretamente por metade dos professores pesquisados
mediante critérios como contextualização dos conteúdos, adaptação ao ENEM, uso de
textos curtos e de linguagem visual (imagem), se constitui no principal subsídio
utilizado pelos docentes tanto no desenvolvimento das aulas, como no processo de
planejamento dessas, sendo esta última etapa complementada, principalmente, pelo uso
de revistas, livros paradidáticos e por consultas à internet.
Assim, se por um lado o livro didático não é tomado como o único recurso a
ser utilizado (inclusive porque 90% dos docentes declararam ter outros livros de
Sociologia em casa e 80% deles afirmaram usá-los para lidar com a disciplina), por
outro vê-se que o livro didático acaba se constituindo, como observa Meucci (2013, p.
78) em uma espécie de “plano de aula”, de “matriz curricular” e/ou “instrumento de
formação docente” que os demais recursos só viriam a complementar. Um indicativo
deste apontamento é o fato de que embora metade dos docentes declare ter acesso a
publicações da área como artigos, dissertações e livros especializados, nem sempre
esses mesmos recursos aparecem listados entre o que geralmente leem e/ou consultam
para lidar com a disciplina.
Assim, como se vê, neste processo de lidar com a disciplina o livro didático
cumpre uma função fundamental, seja na definição daquilo que é trabalhado, seja no
aspecto procedimental propriamente dito, a partir das sugestões de atividades e da
própria leitura e discussão em sala, buscando-se aproximar o tema com a realidade
vivida pelos estudantes: “Geralmente a gente faz o plano de curso pelo livro. [...] E a
partir do que vem no livro você vai contextualizando com o dia a dia” (PROFESSOR/A
AMA).
Neste sentido, considerando os limites do livro didático que, como sinalizam os
guias do PNLD que os analisam e apresentam, precisam ser sanados pelo professor, vêse que isto acaba tendo pouca chance de acontecer, sobretudo, em um contexto em que a
falta de formação específica impossibilita a visualização de tais limites.
No que tange à forma como têm abordado os conteúdos da disciplina, embora
perceba-se uma ênfase maior na questão temática, alguns docentes declaram fazer uma
articulação entre tema e autor, como se pode ver no depoimento abaixo:
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A princípio, o primeiro contato com os meus alunos eu faço uma conversa
com eles sobre uma linha do tempo dos acontecimentos, das transformações
sociais: o escravismo primitivo, o escravismo, o feudalismo pra chegar no
terreno do capitalismo. Aí depois que a gente chega no terreno do capitalismo
eu sempre começo com Augusto Comte que foi considerado o pai da
Sociologia. Aí entra Emile Durkheim que transformou ela em ciência. Então,
a princípio eu começo as minhas aulas fazendo essa linha do tempo, situando
os meus alunos em o que nós vamos trabalhar em Sociologia. E depois eu
explico os quatro principais pensadores da Sociologia: Augusto Comte, Max
Weber, Emile Durkheim e Karl Marx. Depois que eu faço um aparato sobre
eles, aí os outros autores do qual [sic] eu utilizo é baseado num planejamento
do qual a disciplina requer. [...] Então eu escolho esse teórico conforme a
necessidade, o assunto... (PROFESSOR/A RF).
Neste particular, até onde nos foi possível acompanhar através das entrevistas,
parece-nos que os autores e os conceitos desenvolvidos por esses aparecem mais como
forma de contextualização do assunto em tela e como uma maneira de se creditar as
ideias em discussão, situação que deixa pouco espaço para a inserção de um terceiro
elemento que é a dimensão conceitual da abordagem sociológica em nível médio, como
propõem as Orientações Curriculares para o Ensino Médio – conhecimentos de
Sociologia (BRASIL, 2006, p. 116-125), bem como, Moraes e Guimarães (2010, p. 4562) em texto publicado como segundo capítulo do livro Sociologia: ensino médio, o
volume 15 (quinze) da Coleção Explorando o Ensino, do Ministério da Educação
(MEC), o qual, conforme aspiração declarada do referido órgão em apresentação ao
texto acima mencionado:
A Coleção Explorando o Ensino tem por objetivo apoiar o trabalho do
professor em sala de aula, oferecendo-lhe um material científico-pedagógico
que contemple a fundamentação teórica e metodológica e proponha reflexões
nas áreas de conhecimento das etapas de ensino da educação básica e, ainda,
sugerir novas formas de abordar o conhecimento em sala de aula,
contribuindo para a formação continuada e permanente do professor
(BRASIL, 2010, p. 7).
No entanto, como revelam os dados da pesquisa, nem as OCEM-Sociologia nem
o escrito Sociologia: ensino médio são textos conhecidos pela totalidade dos docentes,
visto que apenas 05 deles declararam conhecer o primeiro documento entre a lista
oferecida e este último texto, apesar de não está explícito na referida lista, também não
foi adicionado na opção outros, nem tampouco, em outras oportunidades que colocaram
em xeque o acesso a eventos e/ou publicações da área.
Com relação à forma como abordam os conteúdos, os dados da pesquisa
revelaram que o anseio pela contextualização dos conteúdos se impõe desde a seleção
do livro didático até a forma de lidar com a disciplina, assumindo esta uma função que
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muitos professores chamam de conscientizadora, na medida em que desperta a
consciência dos estudantes para a realidade social:
[...] Eles realizam muito trabalho prático [...] Partindo da teoria, mas eles vão
à rua... Eu tenho documentários belíssimos aqui que eles trazem a realidade
[...] de um lado trazem verdadeiras mansões e do outro lado trazem barracas.
E aí eles falam justamente sobre as classes sociais. Então, trazer a nossa
realidade para eles se encontrarem como sujeitos dentro dessa realidade
(PROFESSOR/A LF).
Ainda sobre a lida com a disciplina, os professores pesquisados destacam que a
aprendizagem dos estudantes se dá de forma razoável por ser afetada por fatores
diversos como: desestímulo frente à realidade política na qual se encontram, pouco
gosto pela leitura, falta de dedicação aos estudos, etc. Contudo, mesmo diante destas
questões, segundo os docentes, a disciplina é bem recebida pelos estudantes que
questionam, sobretudo, a pouca carga horária a ela destinada.
Assim, pelo exposto, vê-se que a lida com a disciplina está sintonizada com a
ideia de que o ensino de Sociologia deve contribuir para a compreensão científica e
crítica da realidade social, em um movimento cuja síntese é a conscientização (enquanto
consciência social e política), como bem sintetiza o depoimento deste professor/a:
[...] Nós temos indivíduos que estão concluindo o Ensino Médio [...] vão se
tornar trabalhadores, vão se tornar as pessoas que irá (sic) conduzir a
sociedade em um ciclo (e isso é normal), o mínimo que tem que ser feito é
fazer com que essas pessoas compreendam o seu papel dentro da sociedade.
E que possa participar e não ser só um indivíduo do qual..., uma massa de
manobra. Porque se a gente analisar as decisões sociais, elas acontecem, se
você analisar sociologicamente dentro da ciência, você vai entender que há
uma série de pessoas favorecidas sobre determinado fato, sobre determinado
acontecimento. E quem não tem uma aproximação maior com a ciência da
Sociologia, com a disciplina etc., costuma achar que isso é um acontecimento
natural porque isso tem que ser assim etc., quando a gente sabe que inúmeras
decisões, inúmeras questões que afetam principalmente a maioria das pessoas
elas são tomadas por um pequeno grupo da sociedade. [...] Aí neste sentido
você precisa entender o seu papel de cidadão; cidadão participativo
(PROFESSOR/A RF).
Essa expectativa de que a disciplina não apenas ajude os estudantes na
desnaturalização da realidade social, mas desperte-os, também, para o engajamento
social e político expressa claramente sua harmonia com a finalidade comumente
esperada para a disciplina: a preparação dos estudantes para a compreensão de que os
problemas sociais podem ser resolvidos no âmbito do projeto de sociedade que os gera.
Nessa perspectiva, a criticidade e a conscientização se limitam a uma leitura engajada
da realidade social e política, a uma denúncia dos problemas sociais ou, no máximo, a
ação de indivíduos que, situando-se acima dos interesses e conflitos de classe, são
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capazes, ao mesmo tempo, de competir e se solidarizar com os demais, sem que isso se
constituía em uma contradição estrutural da ordem social vigente.
Considerações finais
O presente trabalho investigou as configurações e os desafios que envolvem o
ensino da disciplina Sociologia no Sertão Alagoano.
De forma não muito diferente de outros contextos estaduais (FLORÊNCIO,
2011) - e também nacional (ERAS, 2006; ROSA, 2009; ZANARDI, 2009; MOTTA,
2012) -, a Sociologia ensinada no Sertão Alagoano tem como protagonistas professores
majoritariamente licenciados em Pedagogia, com cursos de especialização focados na
área da educação, e que se encontram submetidos a precárias condições de trabalho, a
exemplo do vínculo empregatício temporário (monitoria), da alta carga horária semanal
e da excessiva quantidade de estudantes que atendem.
Buscamos demonstrar, ao longo do texto, que a lida com a disciplina dá
preferência à discussão temática e contextualizada, no interior da qual os autores e os
conceitos das Ciências Sociais aparecem mais como forma de historicização do assunto
em tela e como uma maneira de se creditar as ideias em discussão. Nesse processo,
embora o estado de Alagoas tenha, desde 2010, diretrizes curriculares voltadas ao
ensino de Sociologia, estas são pouco conhecidas pelos professores, assumindo o livro
didático um papel fundamental, seja na definição dos conteúdos, seja no que diz
respeito à ordem e à forma como esses são abordados.
Também mostramos que, conforme os professores, a disciplina Sociologia é bem
aceita pelos estudantes, os quais, mesmo diante de fatores como desestímulo frente à
realidade política na qual se encontram, pouco gosto pela leitura, falta de dedicação aos
estudos, etc., não somente demonstram uma aprendizagem considerada, pelos docentes,
razoável, como até questionam a pouca carga horária dedicada à disciplina.
Assim, concluímos este escrito defendendo que as configurações e os desafios
que envolvem o ensino de Sociologia no Sertão Alagoano, muitos dos quais não são
privilégios dessa região geográfica, têm relação direta tanto com a institucionalização
tardia das Ciências Sociais no estado de Alagoas (OLIVEIRA, 2007; OLIVEIRA,
FERREIRA; SILVA, 2014), como também - e principalmente -, com a história
educacional brasileira, cuja marca é um inigualável descaso para com a escolarização da
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classe trabalhadora, sendo os serviços educacionais, quando não restritos à preparação
das classes dominantes, ofertados de maneira diferenciada – mesmo quando a lei,
falaciosamente, defende a igualdade e a universalidade. Esses fatores, por sua vez, ao
responderem pelos aspectos objetivos e subjetivos face aos quais a Sociologia é
lecionada e, de um modo geral, a partir dos quais a profissão docente é exercida,
impõem diversos limites a uma práxis didático-pedagógico que se proponha a desvelar
os fundamentos socio-históricos e os movimentos de transformação da realidade social.
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